terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Com a colaboração dos nossos AMIGOS da Escola Secundária Daniel Faria Baltar, do Clube de Contadores de Histórias...

UM PRESENTE DE NATAL QUE JAMAIS ESQUECEREI...



A vida de uma criança é como um pedaço de papel onde
todos aqueles que passam deixam uma marca.
Provérbio chinês

Ele entrou na minha vida há vinte anos, encostado à ombreira da porta da sala 202, onde eu dava aulas ao quinto ano. Usava sapatos de borracha três vezes maiores do que os pés, calças aos quadrados rasgadas nos joelhos.

Daniel fez esta entrada banal na escola de uma aldeia bizarra, ao lado de um lago, conhecida pelas casas coloniais brancas e pelas caixas de correio de latão. Disse-nos que a última escola que frequentara ficava situada num condado vizinho.

— Colhíamos fruta — disse ele, sem rodeios.

Suspeitava de que este rapaz sorridente, amistoso e mal vestido, vindo de uma família de imigrantes, fora atirado para uma jaula de leões do quinto ano, que nunca tinham visto calças rasgadas. Se ele reparou nos risinhos, nada revelou. Não foi rude nem agressivo.

As vinte e cinco crianças do quinto ano olharam para Daniel com desconfiança até ao jogo de basebol dessa tarde. Ele deu então a primeira tacada na bola. Isso mereceu-lhe um pouco de respeito por parte dos críticos do vestiário da sala 202.

A seguir foi a vez de Charles. Charles era a criança menos ágil, a mais pesada de todo o quinto ano. Depois do segundo golpe do batedor, no meio dos esgares de contrariedade e dos protestos da turma, Daniel aproximou-se e falou calmamente em direcção às costas arqueadas de Charles.

— Esquece, pá. Tu és capaz.

Charles animou-se, sorriu, endireitou-se e atacou sem demora. Nesse preciso momento, desafiando a ordem social daquela selva onde entrara, Daniel começou a mudar as coisas – e a mudar-nos.

No fim do Outono, todos tínhamos gravitado na sua direcção. Dava-nos as mais variadas lições. Como atrair um peru selvagem. Como saber se a fruta está madura antes da primeira dentada. Como tratar os outros, até mesmo Charles. Principalmente Charles. Nunca usava os nossos nomes, chamava-me «Menina» e «rapazes» aos alunos.

No dia anterior às férias do Natal, os alunos traziam sempre presentes à professora. Era um ritual – abrir todas as caixas, observar o perfume caro ou o lenço ou a carteira de cabedal, e agradecer.

Nessa tarde, Daniel aproximou-se da minha secretária e segredou-me ao ouvido:

— As caixas para a mudança chegaram ontem à noite — disse ele, sem emoção. — Partimos amanhã.

Quando percebi a notícia, os meus olhos encheram-se de lágrimas. Ele quebrou o silêncio constrangedor, falando-me da mudança. Então, quando me recompus, tirou uma pedra cinzenta do bolso. Deliberadamente e com gestos decididos, colocou-a suavemente na secretária.

Pressenti que aquilo era algo de extraordinário, mas habituada a perfumes e sedas, ficara lamentavelmente desprevenida para responder.

— É para si — disse ele, fixando os olhos nos meus. — Puxei-lhe o lustro.

Nunca me esqueci dessa manhã.

Passaram anos. Todos os Natais, a minha filha pede que lhe conte esta história. Começa sempre depois de ela pegar na pequena pedra polida que está na minha secretária. Em seguida, aninha-se no meu colo e eu começo. As primeiras palavras da história nunca variam.

— A última vez que vi o Daniel, ele deu-me esta pedra como presente e falou-me das caixas. Isso foi há muito tempo, antes de tu nasceres.

— Agora já é um homem — concluo.

Juntas, imaginamos onde estará e o que andará a fazer.

— Aposto que é uma boa pessoa — diz a minha filha.

Depois acrescenta:

— Conta-me o fim da história, por favor.

Sei o que ela quer ouvir: a lição de amor e carinho aprendida por uma professora com um rapaz sem nada – e com tudo – para dar.

Um rapaz que vivia no meio de caixas.

Toco na pedra, recordando.

— Olá, rapaz — digo, suavemente. — Esta é a «Menina». Espero que já não precises das caixas. E Feliz Natal, onde quer que estejas.


Linda De Mers Hummel
Jack Canfield; Mark Victor Hansen
Canja de galinha para a alma – O tesouro do Natal
Mem Martins, Lyon Edições, 2002
(adaptação)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Ilustradora VERA PYRRAIT na nossa Escola dia 14 de Dezembro...

Com o apoio do Instituto de Apoio à Criança e por intermediação da nossa ex docente Cláudia Outeiro e actual colaboradora do IAC, iremos receber a ilustradora Vera Pyrrait no Centro de Recursos da Escola, para falarmos do Livro HISTÓRIAS COM DIREITOS.
Realizar-se-á uma sessão com alunos entre as 15:30 e as 17:00 horas e haverá também uma exposição de trabalhos da ilustradora.

Os interessados poderão adquirir o Livro, à venda no Centro de Recursos - 12,24€

O Centro de Recursos vai apoiar uma grande Festa de Natal nas Instalações da Mestre Domingos Saraiva, no próximo dia 12...



sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Livro da nossa Professora Fátima Botão, premiado... e está na nossa Biblioteca.

Vencedor do Prémio A. de Almeida Fernandes – História Medieval Portuguesa / 2010

Prémio A. de Almeida Fernandes - História Medieval Portuguesa / 2010 atribuído à obra A Construção de uma Identidade Urbana no Algarve Medieval. O caso de Loulé, da autoria de Maria de Fátima Botão, publicado pela editora Caleidoscópio em 2009.

O Júri do Prémio A. de Almeida Fernandes, composto pelo Prof. Doutor Armando Luís de Carvalho Homem, Professor Catedrático (História Medieval) da Faculdade de Letras da Universidade do Porto; pelo Prof. Doutor João Silva e Sousa, Professor Catedrático da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Departamentos de História e de Românicas, Francês, Espanhol e Italiano); e pela Prof.ª Doutora Maria Alegria Fernandes Marques, Professora Catedrática (Grupo de História) da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, reunido no passado dia 13 de Novembro no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Ponte de Lima, na presença de um representante da Família do Patrono do Prémio e de Membros da Comissão Executiva do Prémio, deliberou, por unanimidade, após a competente análise dos 19 títulos concorrentes (número máximo de todas as edições realizadas), atribuir o Prémio da presente edição, a sétima desde a respectiva criação, ao livro A Construção de uma Identidade urbana no Algarve Medieval. O caso de Loulé (Lisboa, Caleidoscópio, 2009), da autoria da Doutora Maria de Fátima Botão Salvador Marques.

Segundo os Doutos Membros do Júri, "trata-se de uma tese executada, durante anos, com vista à obtenção do grau de Doutora em História Medieval de Portugal, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, pela autora acima referida.
Obra ímpar acerca de Loulé na construção do Algarve e do nosso País no século XV, apresenta quadros excepcionais e originais desta vila caída até então no esquecimento e com uma forte implementação nos Descobrimentos e na Expansão Portuguesa.
Obra muito bem dividida e muito equilibrada no tratamento dos assuntos que encerra, revela uma forte atenção científica para esta vila, numa dinâmica interdependência com o seu universo rural e marítimo e com as estruturas urbanas regionais e com a Corte, tema de uma extrema dificuldade de tratamento, dada a multiplicidade de "retalhos" a que a Doutora Maria de Fátima Botão Salvador Marques teve de deitar mãos, com pouca documentação que lhe facilitasse a sua difícil tarefa. Digamos que terão existido ambas as situações, mas não foi esquecida a importância do pormenor extraído de curtas passagens em documentos, na sua maior parte deteriorados, que a investigadora soube aproveitar à exaustão. O livro em causa apresenta quadros finais e gráficos que muito nos ajudam a melhor percepcionar a narrativa. A Bibliografia utilizada é de primeira grandeza, com indicações de títulos extremamente actuais, quer nacionais quer estrangeiros".
Também por unanimidade, o Júri deliberou atribuir as seguintes Menções Honrosas:
Aspectos da Música Medieval no Ocidente Peninsular: Música Palaciana - (Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda e Fundação Calouste Gulbenkian, 2009), de Manuel Pedro Ferreira;
Henrique, o Infante (Lisboa, A Esfera dos Livros, 2009), de João Paulo Oliveira e Costa.

A Cerimónia de Entrega do Prémio A. de Almeida Fernandes - História Medieval Portuguesa / 2010 terá lugar no próximo dia 26 de Novembro, pelas 18h00, no Auditório Municipal, sito aos Paços do Concelho de Ponte de Lima.

PARABÉNS PROFESSORA.

....pausa agora....